sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Veja - Edição 2186 (13/10/2010)

Jornal O Estado de SP em PDF, Sexta, 15 de Outubro de 2010

PT enxerga disputa 'problemática' e busca votos no Sudeste:PT vê disputa 'problemática' e aposta no Sudeste para tentar segurar votos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros mais próximos - que integram o "núcleo duro" do governo - e o comando da campanha de Dilma Rousseff avaliaram, em reuniões ao longo da semana, que "a situação é problemática" para a candidatura petista. A recomendação unânime foi para que Dilma concentre a campanha nas Regiões Sul e Sudeste e "esqueça o Nordeste", onde a eleição "está ganha". Os Estados do Sul-Sudeste que serão alvos prioritários da campanha são Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. O Nordeste, onde Dilma tem 19 pontos porcentuais de vantagem sobre o tucano José Serra (57% a 36%), segundo o Ibope, é considerado uma região em que as perdas eventuais serão pequenas. Na avaliação do QG dilmista, elas "nem atrapalharão Dilma nem ajudarão Serra". No Norte, a candidata tem vantagem de 9 pontos porcentuais, 51% a 43%.

Há no comitê de Dilma uma preocupação especial com os dois maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas Gerais, onde o PT foi derrotado pelo PSDB de Serra na disputa pelos governos estaduais. Ainda ontem, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, reuniu-se com deputados e prefeitos, em Belo Horizonte (MG), para tentar reaglutinar a tropa.

Lá, além das mágoas do PMDB de Hélio Costa - que perdeu a eleição ao Palácio da Liberdade para Antonio Anastasia (PSDB) -, as divergências entre o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel, ambos do PT, só se acentuaram. Patrus foi vice de Costa e acabou sem cargo. Pimentel perdeu a corrida ao Senado.

"O problema maior não é a disputa entre Pimentel e Patrus. Nossas lideranças foram derrotadas lá e isso provocou perplexidade", disse Dutra. Na tentativa de reverter a apatia em Minas, Lula e Dilma participarão de carreata amanhã, em Belo Horizonte. Hoje, a candidata estará em São Paulo num megaencontro com professores e reitores. À noite, deverá fazer comício em São Miguel Paulista, na zona leste. Antes disso, à tarde, Lula e ministros baixam no Paraná, em Telêmaco Borba.

"Menos de dez". No diagnóstico de Lula e da coordenação da campanha, o ideal seria que Dilma começasse o segundo turno com pelo menos 10 pontos porcentuais de vantagem sobre Serra - no primeiro turno, a votação terminou com 14 pontos de dianteira para Dilma, 47% a 33%. Na primeira pesquisa, do Datafolha, a diferença foi de 7 pontos. Na do Ibope, caiu para 6 pontos. O levantamento CNT/Sensus, divulgado ontem, mostrou Dilma e Serra com 4 pontos porcentuais de diferença, 46% a 42% (veja na pág. A8).

"Começar segundo turno com menos de dez (pontos porcentuais de diferença nas intenções de voto) é problemático", admitiu ao Estado um dos auxiliares de Lula. Não só as pesquisas anunciadas por institutos como os trackings internos em poder do comando petista mostram que diminui cada vez mais a distância entre Dilma e Serra.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Jornal O Estado de SP em PDF, Quinta, 14 de Outubro de 2010

Termina drama de mineiros no Chile:
COPIAPÓ, CHILE- Terminou na noite desta quarta-feira, 13, o drama dos 33 mineiros chilenos e um boliviano que ficaram soterrados por 69 dias a 700 metros de profundidade em uma mina de ouro e cobre no norte do Chile. A mina de San José, no deserto do Atacama, sofreu um desabamento em 5 de agosto e soterrou os operários. O resgate que emocionou o mundo foi acompanhado em tempo real por milhares de familiares, mais de mil jornalistas e foi transmitido ao vivo para vários países.
A operação começou às 23h55 de terça, com a subida do mineiro Florencio Ávalos à superfície na cápsula Phoenix 2, decorada com as cores pátrias chilenas, e terminou às 21h56 de hoje, com a retirada de Luís Urzua, que liderou o grupo durante o tempo em que estiveram presos.
"Espero que isso nunca mais volte a acontecer", disse Urzua, marcando o fim da operação. "Obrigado a todos, obrigado a todos os socorristas, obrigado a todo o Chile".


"O parabenizo porque cumpriu com seu dever saindo por último, como faz um bom capitão", disse o presidente do Chile, Sebatián Piñera, depois de abraçar o mineiro.

"Quero diante de você agradecer aos milhares e milhares que trabalharam incansavelmente para que vocês estivessem aqui conosco", acrescentou o governante, entre aplausos da multidão e o famoso grito de comemoração do país: "Viva Chile mierda!".

Um a um, os mineiros foram saindo do abrigo. Cada resgate durava cerca de meia hora. Logo após deixarem a galeria que foi seu refúgio por dois meses, eles foram levados ao hospital de Copiapó. Mesmo após uma subida considerada arriscada pelos médicos, a maioria agradeceu as equipes de resgate, abraçou a família e alguns até deram declarações à imprensa. Segundo os médicos, a condição de saúde deles é boa.

Rochas de presente

Com um senso de humor que sobreviveu a dois meses de confinamento, Mário Sepulveda, o segundo a deixar a mina, abriu um bolso ao sair e entregou pedaços de rocha do fundo da mina ao presidente chileno e outros funcionários da equipe de resgate.

"Estive com Deus e com o diabo, me disputaram, mas Deus me ganhou. Ele agarrou a minha melhor mão", disse Sepúlveda horas depois, rodeado de familiares, em declarações transmitidas pela televisão estatal chilena.

Embaixadinhas

"Foi a partida mais dura da minha vida", disse Franklin Lobos, o 27º a ser resgatado, um ex-jogador profissional que chegou a disputar a Copa Libertadores e demonstrou suas habilidades dos velhos tempos fazendo embaixadinhas logo após sair da cápsula.

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domingo, 10 de outubro de 2010

Jornal O Estado de SP em PDF, Domingo, 10 de Outubro de 2010

Correios: nomeado de Erenice fecha contrato superfaturado em R$ 2,8 mi: Nomeado de Erenice nos Correios fecha contrato superfaturado em R$ 2,8 mi - Relações suspeitas. Documentos obtidos pelo Estado mostram que a nova direção da estatal, escolhida pela então ministra da Casa Civil, manobrou para ressuscitar uma licitação que havia sido cancelada três meses antes pelo comando demitido da estatal - O presidente dos Correios, David José de Matos, e a diretoria da estatal aprovaram um contrato superfaturado em R$ 2,8 milhões para favorecer uma empresa de carga aérea. Documentos obtidos pelo Estado mostram que a nova direção da estatal, nomeada pela então ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, manobrou para ressuscitar, em agosto, uma licitação que havia sido cancelada três meses antes pelo comando demitido da estatal. Os documentos da presidência dos Correios e os registros dos pregões revelam o esforço da nova diretoria, que assumiu no dia 2 de agosto, para, duas semanas depois da posse, entregar à Total Linhas Aéreas um contrato de R$ 44,3 milhões.

A licitação foi concluída em meio à crise que derrubou Erenice da Casa Civil. Coube ao presidente Davi de Matos e seus diretores aprovarem no dia 15 de setembro, um dia antes da demissão da ministra, a contratação da Total, como mostra a ata da 36.ª reunião interna do comando da estatal. O contrato foi publicado no Diário Oficial da União de 4 de outubro, um dia depois do primeiro turno eleitoral. No período de um ano, a Total vai transportar cargas dos Correios no trecho Fortaleza-Salvador-São Paulo-Belo Horizonte.

Alerta. Tudo começou no dia 2 de junho, quando um pregão foi feito para o serviço pelo preço limite de R$ 41,5 milhões. A Total entrou sozinha no leilão e ofereceu R$ 47 milhões. A proposta foi recusada pelos Correios. "Solicito a redução do último valor proposto ao preço de referência, sob pena de ter sua proposta desclassificada do certame", disse o pregoeiro, segundo registro eletrônico. A empresa não mudou o preço e a licitação foi anulada.

Para conseguir o contrato de R$ 44,3 milhões, na licitação de agosto - com posterior aprovação da manobra pela diretoria, em setembro -, a Total contou com o apoio de outro personagem central da crise dos Correios, o coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, então nomeado diretor de Operações.

Em agosto, o coronel foi procurado pelos donos da Total para tentar reverter juridicamente o pregão revogado em junho. A empresa MTA, que ganhara na Justiça uma licitação dos Correios, foi consultada sobre a possibilidade de orientar a Total a conseguir fechar esse contrato. O objetivo, naquele momento, era tentar transformar as duas empresas de carga aérea no embrião da unidade de logística que o governo pretende criar em 2011 - uma sociedade mista entre governo e empresas privadas avaliada em US$ 400 milhões.

A solução dada foi fazer uma nova licitação no dia 19 de agosto. Dessa vez, os Correios subiram de R$ 41,5 milhões para R$ 42 milhões o preço máximo para contratação. Mais uma vez, só a Total participou dos lances.

Chegou ao preço de R$ 44,3 milhões e avisou que não poderia mais reduzir o valor, apesar dos alertas do pregoeiro: "Solicitamos que a arrematante faça mais uma revisão em sua planilha de custos, reduzindo sua proposta para, pelo menos, o valor estimado da contratação."

O artigo 48 da Lei de Licitações é claro. Diz que serão desclassificadas "propostas com valor global superior ao limite estabelecido". Já o artigo 40 veda faixas de variação em relação a preços de referência. Diante do conflito legal, o resultado do pregão foi remetido ao coronel Artur, que era o diretor de Operações.

"Excepcional". Num relatório de 13 páginas, a que o Estado teve acesso, ele deixa de lado os alertas no pregão e justifica a contratação da Total Linhas Aéreas por um preço R$ 2,8 milhões acima do valor estipulado na licitação revogada em junho e R$ 2,3 milhões superior ao preço definido no edital da segunda concorrência. Segundo ele, os métodos dos Correios para chegar a uma estimativa "não são absolutamente precisos". "Fato este que permite a homologação excepcional de licitações por valor acima do previamente estimado em decorrência da variação normal de mercado e desde que haja interesse público", diz.

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