quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Jornal O Globo em PDF, Quinta, 29 de Setembro de 2011

No país da impunidade - STF em crise não consegue decidir sobre punição a juízes

Reação da opinião pública impede tribunal de retirar poderes do CNJ

Diante da forte reação da opinião pública e das críticas ao corporativismo no Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) desistiu de julgar ontem a ação que tira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderes para investigar e punir magistrados. A maioria dos ministros do STF tendia a aceitar a ação, movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AME), mas o presidente da Corte, Cezar Peluso, adiou sua apreciação. "O momento não é adequado. Vamos deixar até que os fatos sejam mais esclarecidos", resumiu Marco Aurélio Mello, relator da ação. A crise chegou ao seu auge com a declaração da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, para quem o esvaziamento do Conselho beneficiará "bandidos escondidos atrás da toga". No Senado, foi apresentada emenda constitucional mantendo os poderes do CNJ. (Págs. 1, 3 e 4)

Foto legenda: Nem as vassouras escapam

Eram 594 vassouras - uma por parlamentar - fincadas diante do Congresso pelo movimento contra a corrupção. Mas 50 delas foram furtadas ontem em Brasília. (Págs. 1 e 9)

Enquanto isso, no Legislativo ...

Sem qualquer investigação e ignorando até um vídeo, o Conselho de Ética da Câmara recusou-se a abrir processo por quebra de decoro contra o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), suspeito de envolvimento com superfaturamento nos Transportes. Por 16 a 2, o Conselho se recusou a levar o caso adiante. Na crise do mensalão, Costa Neto renunciara para não ser cassado. Agora, a exigência de relatório preliminar quase inviabiliza a abertura de processos. O presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PDT), admitiu a necessidade de mudar novamente as regras. (Págs. 1 e 9)
TRE cassa Rosinha de novo e condena Garotinho (Págs. 1 e 10)


A guerra das mulheres

Ministra quer tirar Gisele do ar

A campanha de uma marca de lingerie em que Gisele Bündchen aparece de calcinha e sutiã para contar ao marido que bateu com o carro foi classificada pela ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, de "preconceituosa". (Págs. 1 e 29)
Comandante preso na ala dos chefões de Bangu 1

Célebre por isolar os bandidos mais perigosos do estado, a penitenciária de segurança máxima abriga agora os oito PMs acusados de envolvimento na execução da juíza Patrícia, todos em regime disciplinar diferenciado (RDD). Entre eles, o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante de dois batalhões da PM. (Págs. 1 e 14)
Privatização de aeroportos exigirá metas

As empresas que assumirem os terminais de Guarulhos, Brasília e Campinas, que serão privatizados em dezembro, terão metas para entrega de bagagem, tempo de check-in e limites para atraso em voos. (Págs. 1 e 25)
Presunção da culpa

Documentos liberados pelo FBI revelaram que a polícia federal americana mantém em sua lista de suspeitos de terrorismo mesmo quem já tenha sido inocentado pela Justiça. A base, considerada inchada, já possui 420 mil nomes. (Págs. 1 e 33)

Cubanos poderão ter carro novo a partir de sábado (Págs. 1 e 33)

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Jornal O Estado de SP em PDF, Quinta, 29 de Setembro de 2011

Sob pressão, STF mantém poder de investigação do CNJ

Em acordo, Conselho Nacional de Justiça pode processar juízes suspeitos se nada for feito contra eles

A crise no Conselho Nacional de Justiça e a ameaça do Congresso de intervir no problema levaram o Supremo Tribunal Federal a adiar voto sobre ação movida pela Associação dos Magistrados do Brasil, que quer ver reduzidos os poderes do órgão de controle externo. Os ministros do STF fizeram acordo pelo qual as corregedorias dos tribunais locais terão prazo para tomar providências sobre denúncias contra magistrados; se nada for feito, a Corregedoria Nacional podem processar o juiz suspeito. O acordo vinha sendo discutido havia alguns dias, mas a tensão entre a corregedora nacional, Eliana Calmon, e o presidente do STF, Cezar Peluso, precipitou o entendimento. Eliana denunciou “bandidos de toga" e foi repreendida por Peluso. (Págs. 1 e Nacional A4)
Caso contra deputado é arquivado sem investigação

O Conselho de Ética da Câmara arquivou, por 16 votos a 2, as acusações contra Valdemar da Costa Neto (PR-SP), sem abrir investigação. O relator, Fernando Francischini (PSDB-PR), defendeu o processo em que Valdemar seria acusado de esquema no Ministério dos Transportes. Ele é réu no processo do mensalão e em 2005 renunciou ao mandato para escapar da cassação - foi eleito novamente em 2006. “Não se pode banalizar o Conselho de Ética", disse Amauri Teixeira (PT -BA) ao justificar o arquivamento. (Págs. 1 e Nacional A8)

Fernando Francischini
Relator do processo

"Acabamos de fazer uma pizza gigante, com massa voto combinado"
Justiça paralisa obras da usina de Belo Monte

A Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira obteve ontem liminar na Justiça Federal que paralisa a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O juiz Carlos Eduardo Martins proibiu o consórcio responsável pela obra de fazer alterações no leito do Rio Xingu. Foi fixada multa diária de R$ 200 mil, em caso de descumprimento. (Págs. 1 e Economia B4)
Bactérias em melões matam 13 nos EUA

Pelo menos 13 pessoas morreram nos Estados Unidos após comerem melões contaminados pela bactéria Listeria monocytogenes, que provoca vômito e diarréia. Outras 72 estão internadas. Com casos em 18 Estados, o surto já é considerado o mais letal em dez anos. (Págs. 1 e Vida A23)
Cuba autoriza comércio de veículos

Pela primeira vez desde a revolução que deu o poder ao líder socialista Fidel Castro, em 1959, o governo de Cuba autorizou seus cidadãos a comprar e vender carros. Antes, o comércio automobilístico sem restrição aplicava-se apenas a veículos fabricados antes da revolução socialista. (Págs. 1 e Internacional A14)
Dilma cobra ministérios por investimentos (Págs. 1 e Economia B3)

Justiça suspende aumento para Kassab (Págs. 1 e Cidades C5)

Governo pede veto a propaganda de lingerie (Págs. 1 e Economia B20)

Dora Kramer

O 28° elemento

A entrada do PSD em cena acomoda interesses, mas não constrói nada de novo. O partido é, como diz o lugar-comum, mais do mesmo. (Págs. 1 e Nacional A6)
Nicholas Kulish

Sem fé no voto

Os jovens estão tomando as ruas, em parte, por não acreditar nas urnas. (Págs. 1 e Visão Global, A20)
Notas & Informações

Um filho exemplar

A operação filial desencadeada por Eduardo Campos foi exibição de coronelismo à moda antiga. (Págs. 1 e A3)

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Imagens engraçadas/curiosas - 27/09/2011

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Via Knuttz/Ueba

Época – 26 de Setembro 2011 Edição 697

Jornal O Estado de SP em PDF,Terça, 27 de Setembro de 2011

Europa tenta blindar sistema financeiro contra calote grego

Aumento de fundo de estabilização e recapitalização de bancos estão entre as medidas negociadas; bolsas sobem

Os governos europeus articulam o aumento dos recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira para € 2 trilhões. Além disso, a comissária europeu de Finanças, Olli Rehn, disse que a União Europeia prepara a recapitalização do sistema financeiro. Essas negociações buscam neutralizar os efeitos de um eventual calote da dívida da Grécia. As especulações em torno das medidas levaram euforia às bolsas europeias, que subiram acima de 3%. Títulos de bancos que despencavam na semana passada tiveram altas de até 7,7%. Para a Bundesbank, o banco central alemão, as novas medidas são necessárias porque o socorro à Grécia está "condenado ao fracasso". (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

Análise

José Paulo Kupfer

O calote grego aparece mais e mais como favas contadas. (Págs. 1 e Economia B4)

Mercado prevê inflação alta

A estimativa é que a inflação de 2011 chegue a 6,52% no País, superando a meta de 4,5%, com tolerância até 6,5%. A redução dos juros promovida pelo governo impulsionou a piora das previsões. (Págs. 1 e Economia B8)
Rio supera SP em poluição, diz OMS

O Rio tem um índice de poluição do ar três vezes superior aos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pior do que o da cidade de São Paulo. Em uma avaliação inédita com 1,1 mil cidades pelo mundo, a OMS alerta que as metrópoles de países emergentes são hoje não apenas as que mais se beneficiam de uma expansão econômica, mas também as mais poluídas. No geral, a Brasil também tem uma média de poluição do ar duas vezes superior ao que estabelece a OMS. (Págs. 1 e Cidades C1)
Foto legenda: Protesto indígena é reprimido na Bolívia

Policiais batem em manifestante indígena que protestava contra a construção de uma estrada numa reserva boliviana. A ação do governo de Evo Morales, que também é índio, levou a ministra da Defesa, Cecilia Chacón, a se demitir, por considerar a violência injustificável. A obra, a cargo da OAS, é financiada pelo BNDES. (Págs. 1 e Internacional A14)
Assembleia vai apurar denúncia de venda de emendas

O colégio de líderes da Assembleia Legislativa de São Paulo apoiará a investigação da acusação de venda de emendas parlamentares. A denúncia, revelada pelo Estado, foi feita pelo deputado Roque Barbiere (PTB). Segundo ele, "de 20% a 30%" dos deputados estaduais
"vivem e enriquecem" comercializando emendas. Hoje, o presidente do Conselho de Ética, Hélio Nishimoto (PSDB), convocará o órgão. (págs. 1 e Nacional A4)

Conselho da ONU discute Palestina

O Conselho de Segurança da ONU começou ontem a deliberar sobre o pedido de reconhecimento do Estado palestino. O processo pode durar cerca de um mês. Já se sabe que o pedido não será aceito, porque os EUA vetarão dos 15 membros do conselho. Mas os palestinos querem uma vitória simbólica, com o apoio de pelo menos 9 dos 15 membros do conselho. Israel rejeitou ontem as condições impostas pelos palestinos para a retomada das negociações. (Págs. 1 e Internacional A12)

Bancários anunciam greve por tempo indeterminado (Págs. 1 e Economia B10)

Fogo destrói 80% da Serra do Curral, em Minas (Págs. 1 e Vida A18)

Dora Kramer

Intenção e gesto

O governo inverte a ideia de apresentar primeiro os resultados na área da saúde antes de falar em cobrar um novo imposto. (Págs. 1 e Nacional A6)

Notas & Informações

Novo bote do governo Kirchner

O governo não cessa de tentar estender os limites de seu controle autoritário da sociedade. (Págs. 1 e A3)

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Amateur Photographer - 01 Outubro 2011

Passeio do século 2011

Revista Sexy – Sabrina Soares – Outubro 2011 Completa

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jornal O Dia em PDF, Segunda, 26 de Setembro de 2011

Rio - Menos de 12 horas depois de ter sido atendida no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, a auxiliar de serviços gerais Claudia Cristina Valentim Souza, 41 anos, morreu na UPA de Sarapuí, em Duque de Caxias. A família ainda não sabe a causa da morte. A filha de Claudia, Kelly Souza, 22, culpa a unidade estadual pela morte da mãe.

“Ela começou a passar mal quinta-feira. Teve febre e dores, mas os médicos diziam que ela estava bem. No sábado ela piorou e a levei para o hospital de Saracuruna. Os médicos chegaram a dizer que ela tinha princípio de infecção urinária, mas que estava bem”, disse Kelly.

A família insistiu em vão para que a paciente fosse internada, já que ela sentia fortes dores no corpo. Mas os médicos recusaram o pedido, prescreveram um antibiótico e a mandaram para casa.

“Ela voltou sentindo muitas dores e não dormiu. De manhã, quando fui vê-la, estava pior, já não bebia nem água. Levamos para a UPA, mas era tarde. Dói muito saber que ela poderia estar viva”, lamentou.

Morte à espera de maca no Hospital de Saracuruna

Um dia depois de um médico do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, de Saracuruna, Duque de Caxias, ter declarado morta uma senhora que, no necrotério, ainda respirava, o aposentado Calistrato Martins, 87 anos, morreu em frente à unidade, depois de esperar atendimento médico por cerca de 20 minutos.

Segundo a família, não havia maca nem maqueiro para levá-lo à emergência, e ele acabou morrendo dentro do carro, no estacionamento. Na 60ª DP (Campos Elíseos), o caso foi registrado como omissão de socorro seguida de morte. O chefe de plantão da emergência prestou depoimento. Maqueiros e enfermeiros também foram à delegacia.

“O sentimento é de muita revolta, porque a gente vê acontecer com os outros mas nunca imagina que vai acontecer com a gente”, disse Maria Rita, filha de Calistrato. Ela é funcionária terceirizada do hospital, por isso decidiu levar o pai para lá.

A filha chegou ao hospitalcom o pai inconsciente, por volta das 12h30. Maria Rita chegou a preencher formulário para que o pai desse entrada na unidade, mas ninguém apareceu para retirá-lo do carro, até que ela avisou que ele havia morrido, 20 minutos depois.

Segundo ela, o pai sofreu a queda no banheiro de casa. “Hoje faríamos almoço de família na casa dele, mas o encontrei caído quando cheguei”, disse, ressaltando que o pai chegou à unidade com vida. Chamada pela família, a polícia chegou ao local por volta de 13h40.

“Vamos processar o hospital. Isso não podia ter acontecido. Nunca mais voltaremos aqui”, disse, abalada. O corpo de Calistrato foi levado para o IML de Duque de Caxias, onde será determinada a causa e hora da morte.

Também ontem, morreu Claudia Cristina Valentim de Souza, 41, menos de 12 horas após ser medicada no mesmo hospital e liberada para voltar para casa. A Secretaria Estadual de Saúde não quis comentar os casos e se limitou a informar que a equipe de maqueiros estava completa.

Idosa dada como morta está na UTI

A Secretaria Estadual de Saúde informou em nota que, a partir de hoje, a superintendente de Unidades Próprias, coordenadores e a Ouvidoria-Geral do órgão irão despachar direto do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes. A medida, segundo o órgão, visa garantir que denúncias sobre o atendimento de pacientes sejam esclarecidas.

Conforme a direção do hospital, até a noite de ontem, a idosa encontrada viva pelos familiares no necrotério do Saracuruna, Rosa Maria Celestino de Assis, 60 anos, seguia internada na UTI. A direção abriu sindicância para apurar o atendimento à paciente. Os profissionais envolvidos foram afastados.

“O médico disse que a friagem (a idosa ficou duas horas dentro de saco plástico em frigorífico) não piora a pneumonia de ninguém”, disse a filha, Rosângela Celestino.

Pacientes se amontoam no corredor

Ontem, equipe de O DIA flagrou um cenário de caos na Emergência do Hospital Adão Pereira Nunes. Pacientes em macas aglomeravam-se ao longo do corredor da unidade. Fora da Emergência, familiares reclamavam de atrasos no horário da visita e de falta de informação sobre o estado de saúde de seus parentes internados.

Na última quarta-feira, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, exonerou o então chefe de equipe de plantão do Hospital de Saracuruna, o médico Jocelyn Santos de Oliveira.

A medida ocorreu após peregrinação de Gabriel de Sales, 21, por 6 hospitais, entre eles o de Saracuruna, que recusaram atendimento depois de ele cair de laje. Só foi atendido no Hospital Municipal Salgado Filho.

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Jornal O Globo em PDF, Segunda, 26 de Setembro de 2011

Governo retém verbas para prevenção de desastres no Rio

A três meses das chuvas, o Planalto não liberou nem um real do Orçamento

O governo Dilma está atrasando a liberação de verbas para investimentos essenciais à população, como segurança pública e prevenção das tragédias das chuvas. A três meses do início da temporada de enchentes e deslizamentos de terra, o Estado do Rio ainda não recebeu um tostão sequer dos R$ 7 milhões destinados no Orçamento de 2011 ao apoio a obras preventivas. O governo destinou R$ 296 milhões ao programa de Prevenção e Preparação para Desastres Naturais, mas apenas 22% da verba (R$ 66 milhões) foram liberados. No combate à criminalidade, a execução dos principais programas do Ministério da Justiça é mínima Para o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), foram liberados apenas 15,1% dos R$ 657,7 milhões previstos no Orçamento de 2011. (Págs. 1 e 3)
Uma derrota histórica para Sarkozy

Pela primeira vez desde 1958, a esquerda conquistou maioria no Senado francês nas eleições indiretas de ontem. A sete meses das eleições presidenciais, o resultado foi interpretado no país como uma dura derrota para o governo de Nicolas Sarkozy. (Págs. 1 e 27)
Site da Câmara tenta maquiar sessão-fantasma

O vídeo oficial divulgado no site da Câmara dos Deputados sobre a sessão-fantasma da CCJ que aprovou 118 projetos em três minutos tem apenas imagens fechadas nos dois deputados presentes, para maquiar a informação de que o plenário estava vazio. (Págs. 1 e 5)

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Jornal O Estado de SP em PDF, Segunda, 26 de Setembro de 2011

Ideli admite que saúde deverá ter novo imposto

Tributo deve ser 'adequado à conjuntura econômica', diz a ministra; governo espera aprová-lo em 2012

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) admitiu, em entrevista ao Estado, que o governo ainda quer a criação de um imposto para financiar investimentos em saúde no País e arrecadar mais R$ 45 bilhões por ano. "O governo tem clareza de que precisa de novas fontes para a saúde. Nós já colocamos o dedo na ferida", disse Ideli. Projetos de lei que criam base de cálculo para uma nova versão da CPMF poderão ser resgatados. A ministra afirmou, porém, que nada sairá neste ano porque tributos assim precisam ser
“adequados à conjuntura econômica". "Não se pode trabalhar desonerando de um lado e onerando de outro." Embora 2012 seja ano eleitoral, Ideli acredita que não haverá problema em discutir o imposto: “Os governadores acham, e nós concordamos, que o principal tema da eleição será a saúde". (Págs. 1 e Nacional A4)
Abbas é recebido como herói e volta a condicionar diálogo

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, foi recebido como herói ontem em Ramallah, na Cisjordânia, relata o enviado especial Guilherme Russo. "Levantem suas cabeças porque vocês são palestinos”, disse Abbas em discurso, após ter pedido a ONU o reconhecimento da Palestina. Ele tornou a condicionar a retomada do diálogo com Israel. (Págs. 1 e Internacional A10)
Grécia já prepara cenários do calote

Países europeus passam fim de semana articulando formas de evitar contaminação

Sem reconquistar a confiança dos mercados, ganha força a ideia de um calote "parcial e ordenado" na Grécia, relata o enviado especial a Atenas Jamil Chade. Governos europeus passaram o fim de semana desenhando a construção de um escudo que poderia chegar a € 2 trilhões para evitar uma contaminação generalizada da crise grega, que ameaçaria o euro. Funcionários do governo da Grécia foram instruídos a desenhar cenários sobre o calote de metade de sua dívida de € 350 bilhões. Os gregos já pensam em decretar feriado bancário por alguns dias. (Págs. 1 e Economia. B1 e B3)
Mulheres sauditas vão poder votar e concorrer (Págs. 1 e Internacional A11)

Novas liminares adiam IPI de carro importado (Págs. 1 e Economia B7)

Retirar sedação por uma hora reduz riscos (Págs. 1 e Vida A14)

Finanças Pessoais

A taxa de administração é um dos principais fatores ao escolher um plano de previdência. (Págs. 1 e Economia B8)
José Roberto de Toledo

Além da média

Mesmo com falhas, o Enem é o espelho do ensino no Brasil. É preciso desagregar os números e identificar onde o problema é mais grave. (Págs. 1 e Nacional A7)
Notas & Informações

O Supremo e o futuro do CNJ

Se acolher recurso da AMB, reduzindo a pó prerrogativas do CNJ, o STF promoverá retrocesso. (Págs. 1 e A3)

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Saúde em SE é destaque no Fantástico

Samu tem ambulâncias sucateadas e 1,2 mil veículos novos parados

JornaldaCidade.Net

A saúde sergipana foi novamente destaque nacional. Neste domingo (25), o Fantástico apresentou a triste radiografia de um serviço público essencial: as ambulâncias do Brasil precisam de socorro. Sete estados foram percorridos e, além de flagrantes absurdos de precariedade, foi descoberto que mais de 1,2 mil ambulâncias novas estão paradas, abandonadas - um desperdício de dinheiro público.

Um homem sofre convulsões e é resgatado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atende 112 milhões de brasileiros. Em um acidente de trânsito, uma mulher precisa de socorro, e também é o Samu que entra em ação. “Mesmo o rico, o pobre, toda pessoa pode sofrer um acidente, e o primeiro atendimento é o Samu”, afirma o procurador da República Alan Mansur Silva.

Mas, no Brasil inteiro, o péssimo estado de muitas ambulâncias prejudica o socorro. Uma ambulância só tem um limpador de para-brisa. O óleo está vazando, e a tampa do reservatório de água é uma luva cirúrgica improvisada. Quando chove, pinga dentro da ambulância, inclusive na cabeça do paciente.

Para registrar flagrantes, as equipes percorreram sete estados. Em quatro semanas, rodamos mais de três mil quilômetros. Dezenas de denúncias foram recebidas e investigadas. Em áreas remotas, constatmos: o pior problema é a falta de ambulâncias, como na Amazônia Paraense, onde acompanhamos em tempo real o drama de um menino. “Nossa 192 foi embora e até agora não voltou mais”, conta a mãe do menino, Cira Rodrigues.

Em outros estados, como Paraíba, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, ambulâncias novas existem aos montes, mas estão paradas. Nunca transportaram um paciente sequer. São mais de 1,2 mil no país todo. Para não chamar a atenção, algumas foram escondidas. Atrás de um muro, tem mais uma ambulância.

Em Aracaju, a capital de Sergipe, o estepe de uma ambulância está amarrado com ataduras. E esse não é o único problema. A ambulância não tem macaco nem chave de roda. “Se a viatura parar, onde parar fica”, comenta o condutor.

Segundo a Secretaria de Saúde de Sergipe, o estado tem 50 veículos do Samu. Em Estância, 64 mil habitantes, a 70 quilômetros da capital, uma fita adesiva ajuda a prender o volante. O velocímetro sofreu uma pane elétrica. Como o freio de mão também está com problema, uma pedra serve de calço.

Há dois meses, Maria José Santos, de 41 anos, precisou do Samu de Estância. Como a ambulância estava quebrada, veio uma de Boquim, a 30 quilômetros do local. Os atendentes decidiram levar a doente para Aracaju, onde fica o principal hospital do estado, mas no meio da viagem... “A ambulância quebrou, o cabo do acelerador, no meio da BR. Ficou mais ou menos meia hora para outra vir”, contou Izilaine Souza Santos, filha de Dona Maria. Maria morreu antes de dar entrada no hospital, três horas depois do pedido de socorro.

O Ministério da Saúde recomenda que o tempo entre a ligação para o 192 e a chegada ao hospital seja de 15 minutos. A Secretaria de Saúde de Sergipe disse que vai comprar, com dinheiro próprio, mais 30 ambulâncias em até 90 dias e reconheceu que houve demora no atendimento da Dona Maria.

“Esse tempo foi insuficiente para chegar no momento necessário para dar a sobrevida ao paciente”, admite o secretário de Saúde de Sergipe, Antônio Carlos Guimarães.

Ainda em Aracaju, a equipe de reportagem localizou seis ambulâncias do Samu sendo usadas irregularmente. Uma delas não tem placas, não tem documentação e, no Detran, nem existe. “Elas estão rodando com autorização especial, porque são ambulâncias recém-doadas pelo Ministério da Saúde”, alegou o secretario de Saúde de Aracaju, Silvio Santos.

“Nós não podemos admitir isso. Não existe autorização especial para rodar sem placa. Nós vamos auditar e encaminhar ao Ministério Público e aos órgãos policiais. Isso é uma ilegalidade no Brasil”, afirmou Helvécio Magalhaes Junior, secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde.

O serviço 192 funciona assim: na chamada central de regulação do Samu, os primeiros a responder a uma ligação são técnicos. Geralmente, uma única central é responsável pelo atendimento em várias cidades. A coordenação é feita por médicos, que decidem se é preciso enviar socorro – isso quando existe ambulância.

Na base do Samu, que atende a região de Aracaju, um funcionário diz que chega a ficar sem fazer nada o dia inteiro. “Ficamos de prontidão, mas sem atividade nenhuma, descansando. Nossa ambulância já está há um bom tempo em manutenção”, revela.

“Diariamente, nós temos 14 ou 15 viaturas fora de circulação por problemas de manutenção, por problemas de quebra da viatura”, comenta Samanta Bicudo, presidente do sindicato do Samu em Sergipe.

É o Ministério da Saúde que compra as ambulâncias do Samu e ajuda a criar as centrais de regulação. Depois, para manter o serviço, os custos são divididos: metade para o governo federal e metade para estados e municípios. Só em 2010, o Ministério da Saúde repassou R$ 369 milhões.

Em Alagoas, uma família diz ter sido tratada com descaso pelo Samu de Maceió. Jardilaine Maria do Carmo, de 20 anos, estava grávida de nove meses. “Eu estava precisando, ninguém ajudou”, diz.

“Comecei a ligar para o Samu. O médico disse: ‘Eu não posso fazer nada. Você põe um carro e vai para a maternidade’. Eu disse: ‘Mas ela não pode ir para a maternidade. Ela está sentindo muita dor e o nenê já está nascendo’. Ele falou: ‘Não posso fazer nada’ e desligou o telefone”, conta a dona de casa Elaine Maria do Carmo, tia de Jardilaine.

Segundo a família, o bebê nasceu em casa e morreu 30 minutos depois. O laudo do Instituto Médico-Legal diz que o óbito aconteceu dentro do útero.

“Foram instaurados os procedimentos para averiguar a fundo se realmente houve alguma culpa do serviço e, lógico, tendo a culpa, tem que ser tomadas as medidas necessárias”, declarou o secretário de Saúde de Alagoas, Alexandre de Toledo.

Em geral, para as equipes do Samu, conseguir levar o paciente ao hospital significa missão cumprida. Mas nem sempre é assim. Veja o que acontece no Hospital Geral de Emergência de Maceió, um dos principais de Alagoas.

“O paciente é deixado no hospital. Como não tem leito, ele fica ocupando a maca da ambulância até que seja liberada”, diz um atendente. E se houver um chamado? “Deixa a população de ser atendida por um simples problema de maca”, acrescenta o atendente.

Dentro do hospital, os pacientes ficam nos corredores. Um rapaz foi trazido pelo Samu com fraturas expostas no pé e no braço. Só depois de uma hora, a maca da ambulância é liberada. “As ambulâncias chegam a ficar 12 horas paradas, aguardando maca”, continua o atendente.

A equipe esteve por dois dias no Hospital Geral de Maceió. No dia 17 de setembro, à 1h, cinco ambulâncias estavam paradas, porque as macas estão bloqueadas dentro do hospital. O secretário de Saúde de Alagoas, Alexandre de Toledo, não vê solução: “É um problema conjuntural. Essa questão hoje de urgência e emergência no país acarretando vários prejuízos à população”.

A equipe também esteve por dois dias em outro grande hospital público do Nordeste. O Hospital de Urgência de Sergipe, em Aracaju, também estava superlotado e usava as macas do Samu. Uma ambulância chegou por volta das 21h. Às 23h, e continuava parada. Isso porque o hospital não liberou a maca.

“Os hospitais do interior, todos, praticamente, entraram em construção ou em reforma no mesmo tempo e levou a um estrangulamento na nossa rede assistencial. A gente tem agora o prazo até o começo de 2012 para estar pronto”, afirmou o secretário de Saúde de Sergipe, Antônio Carlos Guimarães.

E em locais ainda mais pobres e de acesso difícil, como a Amazônia? Como será o atendimento? Para socorrer a população ribeirinha, existem as chamadas “ambulanchas”. Em uma marina de Belém, duas delas estão paradas aguardando conserto.

Na Ilha de Cotejuba, a oito quilômetros da capital paraense, os dez mil moradores estão sem “ambulanchas” há três meses. A situação se repete em outras 16 ilhas da região.

“Meu pai teve um AVC de madrugada”, contou o mercante Gilberto Brito. “Liguei umas quatro ou cinco vezes para o Samu. Só ficava tocando uma música e ninguém atendeu a gente”, reclama a comerciante Helen Rose Brito.

“Você leva, às vezes, duas ou três horas escutando aquela música e não é atendido”, afirma Carlos Costa, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Pará.

Só depois de cinco horas, quando o barco que faz a travessia de passageiros começou a funcionar, é que Jorge Mendes da Silva foi levado para Belém. No mesmo dia, ele sofreu outro acidente vascular cerebral. Depois de duas semanas internado, morreu, aos 74 anos. “A gente se sente abandonado. Não tem a quem recorrer”, lamenta a comerciante Helen Rose Brito.

Nossa equipe registrou, em tempo real, o drama de um menino, de 2 anos. Wellington tem febre alta e convulsões. “Tentou controlar com uma medicação oral. Não é competência minha fazer a medicação do paciente. Eu sou só um técnico em enfermagem. A temperatura da criança não cedeu. Voltou a subir novamente. Tinha que ter um médico [de plantão], mas não tem”, contou o técnico em enfermagem Raimundo Cota.

O menino precisa ser transferido para Belém. Por telefone, um policial militar avisa que uma equipe do Fantástico acompanha tudo. Em uma hora, aparece uma lancha dos bombeiros.

É uma ajuda improvisada, porque a lancha não era para transportar pacientes. “Com certeza”, concorda um bombeiro. Entre a chegada da família ao posto de saúde da ilha e a entrada no hospital de Belém, passaram-se quatro horas. Wellington já teve alta. O Ministério Público Federal quer que o serviços das “ambulanchas” seja regularizado imediatamente e os responsáveis, punidos.

“Pessoas vão ficar sem atendimento e podem correr risco de morte pela falta de atendimento emergencial”, alerta o procurador da República no Pará, Alan Rogério Mansur Silva.

O diretor geral do Samu de Belém, José Guataçara Gabriel, disse que na quarta-feira uma “ambulancha” que estava em reforma voltará a funcionar e avalia que o atendimento à população não foi prejudicado. “Não deixaram de serem atendidos nossos pacientes nas ilhas, porque nós temos uma parceira com o Corpo de Bombeiros”, declarou José Guatassara Gabriel.

A equipe cobrou também explicações também sobre a falta de atendentes na central de regulação. “Se for necessário, com certeza, nós vamos aumentar o numero de funcionários”, acrescentou o diretor geral do Samu de Belém.

Em alguns lugares, faltam ambulâncias. Em outros, elas circulam caindo aos pedaços. Mas esses não são os únicos problemas do atendimento de emergência. No ano passado e neste ano o Ministério da Saúde entregou 2.312 ambulâncias novas. Só que 1.215, mais da metade, estão paradas. Custaram mais de R$ 160 milhões e nunca salvaram uma vida. Se todas estivessem rodando, a frota nacional, que atualmente é de 1.788 ambulâncias, aumentaria quase 70%.

No Paraná, segundo o governo do estado, são 144 ambulâncias novas – e paradas. A Secretaria de Saúde disse que foram distribuídas sem a implantação da estrutura necessária e informou que, até o começo do ano que vem, a maioria estará circulando.

O Fantástico foi também à Paraíba, um dos estados que mais receberam ambulâncias do Samu ano passado: 160. Na cidade de Juripiranga, de dez mil habitantes, a equipe de reportagem pediu autorização para entrar em uma casam e a ambulância está escondida do outro lado do muro.

A equipe do Fantástico percorreu mais de 500 quilômetros à caça desses veículos novos. Na cidade de Sapé, a equipe tentou encontrar mais duas ambulâncias que estão paradas há mais de um ano. Ao passar por dentro do hospital da cidade, de 50 mil moradores, e encontrar os veículos no estacionamento, a equipe ligou para o 192.

Repórter: Eu estou aqui em Sapé. Aqui não tem Samu?
Atendente: Não.
Repórter: Então, se precisar, não tem Samu em Sapé?
Atendente: Hoje, se precisar hoje, não.

“Estamos fazendo nossa parte, que é a construção da base no nosso município, que estará pronta no próximo dia 15 de outubro”, garantiu o secretario de Saúde de Sapé, Garibaldi Pessoa.

Em Guarabira, de 55 mil habitantes, há três ambulâncias novas paradas, incluindo uma sofisticada UTI móvel. “Está faltando um processo de organização da central de regulação de João Pessoa, da prefeitura de João Pessoa”, apontou a secretária de Saúde de Guarabira, Alana Soares Brandão Barreto.

“Não se estrutura uma rede do dia pra a noite. Você leva um tempo, tanto para construção, para ter equipe”, se defende a secretária municipal de João Pessoa, Roseana Maria Barbosa Meira.

Repórter: Vocês não estão começando a casa pelo telhado desse jeito? Primeiro entrega a ambulância para depois ter estrutura? Não é estranho?
Cláudio Teixeira Régis, coordenador do Samu: É bastante estranho. Essa distribuição, que aconteceu ainda na gestão estadual anterior, foi feita dessa forma.

O atual secretário estadual de Saúde da Paraíba, Waldson Dias de Souza, também culpa o governo anterior: “Critérios políticos que definiram a quem o estado iria agraciar naquele momento”. Ele concorda que, se fosse uma escolha técnica, alguns municípios não receberiam ambulância: “Não receberiam, porque não têm condição nenhuma de compor uma região de saúde e nem serviços para poder regular estas ambulâncias”.

Segundo o secretário, das 160 ambulâncias novas, 90 ainda estão paradas. “A gente tem o objetivo central que é colocar em funcionamento todas as bases e redefinir o que for preciso dessas que não têm hoje o critério de ser uma base Samu”, continuou Waldson Dias de Souza.

Procuramos o ex-governador José Maranhão. Por ele, falaram dois ex-secretários, que afirmaram que a distribuição das ambulâncias não foi política. Em nota, disseram que a entrega seguiu os critérios do Ministério da Saúde.

Ambulâncias novas que não prestam atendimento existem também em Minas Gerais. Foram doadas 72 no ano passado. Nenhuma circula. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que, para não atrasar a implantação de bases do Samu, resolveu solicitar as ambulâncias com antecedência, em 2010, e que 48 veículos devem rodar até o fim do ano.

Segundo o Ministério da Saúde, 281 veículos foram enviados em 2010 e neste ano para São Paulo. Ao todo, 242 estão parados, espalhados por quase todo o estado. No caso paulista, as ambulâncias são entregues diretamente às prefeituras.

Na capital, a equipe de reportagem encontrou mais um problema. Três ambulâncias de uma base, que atende inclusive a um trecho da Via Dutra, entre São Paulo e Rio, não podem circular, porque estão sem licenciamento desde 2009. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo disse que o processo de regularização está em fase final.

O Ministério da Saúde informou que, agora, os municípios têm 90 dias, a contar do recebimento da ambulância, para iniciar o atendimento. Com uma novidade: a fiscalização vai ser informatizada e em tempo real.

“Vamos ter o controle do funcionamento real de cada ambulância, de cada Samu municipal ou regional. Nós estamos aprimorando os controles para o bom uso do recurso público”, afirmou Helvécio Magalhaes Junior, secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde.

Ambulâncias paradas podem ser remanejadas para outras cidades. “Nós determinamos um ofício aos municípios e estados cobrando uma solução. Nós não podemos permitir que ambulâncias fiquem paradas e as pessoas precisando”, acrescentou Helvécio Magalhaes Junior, do Ministério da Saúde.

Durante a reportagem, não encontramos problemas só em ambulâncias do Samu. Mesmo veículos mais simples, de manutenção barata, rodam em péssimas condições. Uma ambulância da Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) está amassada, enferrujada, com para-brisa quebrado e sem licenciamento há três anos. Depois de procurada pela equipe, a secretaria decidiu tirar o veículo de circulação.

No interior de São Paulo, uma ambulância da Secretaria Municipal de Saúde de Guaimbê se envolveu em um caso grave. Quando voltava de uma consulta, em maio passado, o aposentado Miguel Serafim caiu do veículo em movimento e ninguém percebeu.

“Abriram as duas portas laterais, desceu o carrinho da maca no asfalto, e eu desci junto. Aí eu fiquei”, conta. “Só quando chegou na porta de casa que o motorista foi abrir a porta, não tinha mais ninguém dentro”, relatou Isabela Serafim, filha do aposentado.

Com traumatismo craniano, Seu Miguel foi encontrado por funcionários da concessionária da estrada. A polícia e a prefeitura apuram se foi a porta estava destravada ou com defeito.

Quem depende do serviço público de ambulâncias faz um apelo. “É gente que está morrendo, é gente que está adoecendo. Eu pediria pelo amor de Deus que eles olhassem só um pouquinho para a gente”, diz a comerciante Helen Rose Brito.

Fonte: Globo.com